Impacto da Pandemia COVID-19 na Indústria Gráfica Capixaba

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Lorena Depizzol, Vice-Presidente do SIGES/ABIGRAF-ES e Vice-Presidente do Conselho de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) é a nossa convidada especial.

1. Quais são os reflexos da pandemia na indústria gráfica de seu estado? Qual o percentual de queda na produção / faturamento?


Depizzol: Entrevistamos 17 empresas do nosso Estado entre os dias 19 e 20 de maio de 2020. Verificamos uma redução de 61,82% na média do faturamento dessas empresas e acreditamos ser um retrato muito próximo do real, visto que o Espírito Santo é predominante nas gráficas da área promocional, setor mais atingido até o momento. Ao todo, 124 postos de trabalho reduzidos durante este período e estimativas que mais devem ser reduzidos em junho e julho.

2. Quais os segmentos mais prejudicados pela crise econômica em seu estado?


Depizzol: Setores como o promocional e de comunicação visual foram os mais afetados no nosso mercado, além de serem predominantes no nosso setor.

3. Como a ABIGRAF local tem auxiliado os empresários durante a pandemia?


Depizzol: O principal papel da ABIGRAF-ES foi levar informações aos associados. Tivemos 2 lives, uma com temas ligados ao mercado e pós-pandemia com Hamilton Terni e outra sobre medidas trabalhistas, com Marco Redinz, especialista na área e advogado da Consurt (Findes). Abastecemos também nossos associados com informações do Núcleo de Suporte ao Crédito e outras pertinentes ao nosso mercado. 

4. Quais são os principais desafios da indústria gráfica local nesse momento?


Depizzol: Vislumbramos como principal desafio do nosso setor a conscientização do empresário sobre a necessidade de se profissionalizar em assuntos como gestão, mercado e atendimento. Ainda existem empresários focados apenas em equipamentos e, infelizmente, isso causa miopia de mercado. Também temos recepção sobre saúde financeira das empresas. O capital de giro, que já é um problema histórico do empresário gráfico, apenas se agravou com a COVID.

5. Quais são as perspectivas de retomada dos negócios em seu estado? É possível prever quando o faturamento das empresas locais voltará aos mesmos patamares pré-pandemia?


Depizzol: Estimamos que algumas empresas não conseguem passar por esta fase. Também alguns setores precisam se reinventar, migrando para outros segmentos que vão se recuperar com mais agilidade, como embalagens e rótulos. Enxergamos uma retomada dos negócios a partir do último trimestre e do início de 2021.

6. Qual é a avaliação que a senhora faz do Governo sem auxílio às empresas durante uma pandemia? Quais são os prós e contras do Governo desde março?


Depizzol: Pesquisa realizada pela Findes confirmou que 60% das empresas capixabas que precisaram de crédito não conseguiram ter acesso. Isso revela uma complexidade do Sistema Financeiro, apesar de todo o esforço feito pelo Governo Estadual e Federal. Concordamos com o posicionamento da Federação das Indústrias do Espírito Santo e apoiamos reformas urgentes listadas em manifesto e destacadas a seguir:

a) Nova lei do gás (PL 6407/2013);
b) Autonomia do Banco Central (PLP 200/1989);
c) Governo Digital (PL 3443/2019);
d) Novo Marco Legal de Ferrovias (PLS 261/2018);
e) Marco Legal do Saneamento Básico (PL 3261/2019);
f) PEC Emergencial (PEC 186/2019);
g) Reforma Tributária (PEC 110/2019 SF e PEC 45/2019 CD;
h) Reforma Administrativa (em discussão);
i) Reforma do Setor Elétrico (PLS 232/2016);
j) Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 3729/2004 e PLS 168/2018);
k) Contrato de Trabalho Verde e Amarelo (MPV 905 do Poder Executivo);
l) Pacto Federativo (PEC 188/2019);
m) Desestatização da Eletrobras (PL 5877/2019);
n) Execução do Programa Nacional de Desestatização, atualmente com 17 empresas.

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