Impacto da Pandemia COVID-19 na Indústria Gráfica Mineira

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Entrevistado especial: Rodrigo Velloso, presidente da ABIGRAF-MG.

1. Quais os reflexos da pandemia na Indústria Gráfica de seu estado? Qual o percentual de queda na produção / faturamento?
Velloso:
Os piores possíveis. Temos visto muitas gráficas permanecendo fechadas, aderindo às reduções de salários e/ou suspenção de contratos, buscando dinheiro no mercado e não conseguindo. Muitas sem serviço e sem perspectiva. Em relação a queda, conversando com empresários e fornecedores, vemos algumas situações distintas. Quedas de 90% para determinados segmentos e pequenas em outros, como a impressão de bulas e caixas para medicamentos e sacolas para delivery. Promocional, Comercial e Editorial estão com quedas muito acentuadas.

2. Quais os segmentos mais prejudicados pela queda na atividade econômica em seu estado?
Velloso:
No estado em geral, todos os segmentos estão afetados. Uns mais outros menos. Em Belo Horizonte, o infeliz do nosso prefeito fechou tudo. Nossa capital, conhecida por seus botecos, vem amargando prejuízos enormes. Mas em nenhum momento a prefeitura se absteve de cobrar impostos e sequer cogitou prorrogá-los. A queda na atividade de segmentos como Promocional, Comercial, Editorial e até embalagens (não como as específicas citadas anteriormente) chega a 90%.

3. Como a ABIGRAF local tem auxiliado os empresários durante a pandemia?
Velloso:
Situação difícil. Temos divulgado informações, nosso jurídico tem apoiado os associados. Em relação à parte financeira, não temos como ajudar, pois estamos no mesmo barco, com queda enorme em nossa arrecadação, associados solicitando desligamento, um caos.

4. Quais os principais desafios da indústria gráfica local nesse momento?
Velloso:
Simples, sobreviver. E, como já tenho dito há muito tempo, se reinventar. Deixar o orgulho de lado e buscar união, fusões, parcerias, mesmo com gráficas de outros estados. Precisamos entender que talvez existam gráficas que não sobrevivam. Porém, podemos brilhar e ser mais fortes se soubermos nos unir. 

5. Quais perspectivas de retomada dos negócios em seu estado? É possível prever quando o faturamento das empresas locais voltará aos mesmos patamares pré-pandemia?
Velloso:
A retomada será demorada. Sem perspectivas. Voltar aos patamares pré-crise, acho que nunca mais. Se nos reinventarmos aí pode ser para 2022, sendo otimista. Mas com a volatilidade pela qual o mundo está passando, melhor não arriscar.

6. Qual a avaliação que o senhor faz da atuação do Governo no auxílio às empresas durante a pandemia? Quais são os prós e contras do Governo desde março?
Velloso:
Francamente, Governo, Congresso, Judiciário em nada ajudam nos negócios, nunca ajudaram. Eles defendem apenas seus interesses próprios. E as Federações e Confederações não têm força para nada. Resumindo, estamos sós. Quando se fala em fechar Congresso, STF, não se quer trazer o autoritarismo de volta, não. Isso representa o sentimento da população, que já está cansado de ser roubada. É preciso dar um basta a este sistema. A roubalheira sempre prejudicou a população. E o pior, todos sem punição.

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