Impacto da Pandemia COVID-19 na INDÚSTRIA GRÁFICA PAULISTA

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Entrevista especial com Sidney Anversa Victor, presidente da ABIGRAF – SP.

1. Quais os reflexos da pandemia na indústria gráfica de seu estado? Qual o percentual de queda na produção / faturamento?


Sidney: Os reflexos foram muito fortes. Perdemos 60% de nossos negócios, de diferentes maneiras. As micro e pequenas empresas, que são mais de 90% de todas as gráficas de São Paulo, sofreram demais. Tivemos quedas variáveis de segmento para segmento, mas o estrago foi grande. Hoje a atividade começa a voltar, mas com muitas dificuldades. 

2. Quais os segmentos mais prejudicados pela queda na atividade econômica em seu estado?


Sidney: O segmento de embalagens, por exemplo, foi o menos prejudicado pela pandemia. Com shoppings fechados, produtos de alto valor agregado tiveram quedas acentuadas nas vendas, mas por outro lado, no início da pandemia, farmacêuticos e alimentos compensaram. Porém, a partir de maio/junho, a queda no volume de negócios voltou. Outros segmentos, como o Editorial, Comercial e Promocional foram dramaticamente prejudicados. Em São Paulo, que representa mais da metade do PIB da Indústria Gráfica Brasileira, encolhemos cerca de 50%.   

3. Como a ABIGRAF local tem auxiliado os empresários durante a pandemia?
Sidney: Nosso time é sensacional. Fizemos muito. Cada um na sua casa, todos se protegendo, sofrendo todos os medos e receios normais durante esse período avassalador, mas com foco no que, como instituição, é o mais importante: os gráficos. Fizemos lives relevantes, emitimos dezenas de comunicados, traduzimos as medidas trabalhistas e tributárias do governo durante a pandemia para que nossos sócios pudessem agir sem errar, cobramos os governos e marcamos posição, mostrando nossa realidade na grande imprensa. Fiquei muito feliz com todo nosso corpo técnico, sem exceções. 

4. Quais os principais desafios da indústria gráfica local nesse momento?


Sidney: Em primeiro lugar, precisamos voltar ao normal, ou descobrir como vai ser o tal “novo normal”. Mas isso só vai acontecer depois da vacina. O inimigo é sórdido. Um vírus que troca de casas, troca de pulmões e vai arrasando tudo que encontra pela frente, vidas e empresas. Acabou o capital de giro, empresas infelizmente vão quebrar e se adaptar ao novo modelo de negócios, com vendas pela internet, personalização de produtos e distanciamento social entre vendedores e compradores são os grandes desafios para todo o setor produtivo. Temos que aprender a gerar demandas, com criatividade, compromisso com a qualidade, seriedade, planejamento e muita paciência.   

5. Quais perspectivas de retomada dos negócios em seu estado? É possível prever quando o faturamento das empresas locais voltará aos mesmos patamares pré-pandemia?


Sidney: O faturamento de setores como Embalagens está voltando. Setores como o Editorial, impulsionado pela volta às aulas e o de Comunicação Visual, têm boas perspectivas. Mas voltar ao que tínhamos em janeiro, fevereiro, ainda está longe do radar da maioria dos gráficos paulistas.   

6. Qual a avaliação que o senhor faz da atuação do governo no auxílio às empresas durante a pandemia? Quais são os prós e contras do governo desde março?


Sidney: O Governo Federal prorrogou pagamentos de impostos caros, decretou medidas trabalhistas que deram algum fôlego aos empregadores, como diminuição de salários e jornadas e lançou linhas de crédito atrativas, que se tornaram praticamente inviáveis por conta dos bancos privados. Entre erros e acertos, a União fez algo. Mas no caso de São Paulo, a atuação do governo foi lamentável para as empresas, abaixo da crítica mesmo. Nenhuma ajuda ao empresário, seja ele micro, pequeno, médio ou grande. Nenhuma flexibilidade no pagamento de impostos, nada, absolutamente nada. Ficamos ao Deus dará, abandonados pelo Governo do Estado no meio de uma disputa política inconveniente, fora de hora e muito prejudicial, promovida pelo nosso governador. Nota zero.

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