Setor gráfico sente na pele a recessão técnica

No segundo trimestre, a produção física da indústria gráfica sentiu com bastante intensidade a crise econômica do país. Registrou recuo de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo cálculos da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), a partir da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. 

Pelos dados da CNI, estimamos que houve queda de 5% nas horas trabalhadas e 6% no emprego, na mesma comparação.
Apesar da evidente piora do ambiente econômico e da queda contínua da confiança dos empresários do setor (o índice está em 39,6 pontos em uma escala de 0-100 ante 48,3 no mesmo período do ano passado), a intensidade da queda da produção da IG surpreendeu. O setor vinha se mostrando mais blindado que a média da indúsria de transformação (-8,7%). Mas o quadro se inverteu no segundo trimestre.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, descontando o padrão sazonal, a produção caiu 6,0%, enquanto que a indústria de transformação retraiu 2,3%.

Apesar do tombo, na média dos quatro trimestres, a indústria gráfica registrou queda mais modesta em relação à média da indústria de transformação: -2,9% e -6,6%, respectivamente. “Ainda é cedo para afirmar que trata-se de uma tendência. Talvez essa forte queda do segundo trimestre tenha sido atípica, e os empresários do setor ainda estão trabalhando na realização dos ajustes necessários para diminuir os danos desse quadro recessivo. Temos uma pauta em andamento no Congresso, que contempla medidas capazes de melhorar a rentabilidade do setor, como o fim da bitributação de ISS e ICMS sobre produtos gráficos”, afirma Levi Ceregato, presidente nacional da Abigraf.

Dentre os ajustes inevitáveis realizados pelo setor, Ceregato cita o corte líquido de 4.394 postos de trabalhos formais (no mesmo período em 2014 a marca foi de 985 postos).

Os investimentos do setor também sofreram, com recuo de 20% na importação de máquinas e equipamentos no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

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