A ABIGRAF NACIONAL considera alarmante a aprovação, pelo Senado Federal, da PEC 221/2019, que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas e estabelece o fim da escala 6×1.
A medida certamente causará perdas econômicas, demissões, aumento dos custos empresariais e repasse dos custos ao consumidor, com reflexos graves sobre a inflação.
A aprovação em meio ao período eleitoral traduz um retrocesso diante dos desafios que o Brasil já enfrenta com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional. O Senador Hamilton Mourão foi o único a votar contra a proposta. Não compareceram à votação os Senadores Marcio Bittar, Dr. Hiran, Sérgio Moro e Rogério Marinho.
A CNI estima que a medida elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e resultará em queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76,9 bilhões. O levantamento da CNI também projeta alta média de 6,2% nos preços ao consumidor, com impactos severos sobre o poder de compra da população.
Além de causar insegurança jurídica, a mudança atinge gravemente o setor produtivo, que precisará ajustar sua produção, adaptar suas escalas de trabalho e aumentar seus custos em um meio a um cenário econômico adverso do país, que já convive com uma pesada carga tributária e juros altos.
Para a indústria gráfica nacional, cuja produção física registrou números negativos com uma queda de 2,5% no ano de 2025 e de 8,6% quando comparado o 1º Trimestre de 2026 com o 1º Trimestre de 2025, o desafio para manutenção da sustentabilidade e dos empregos formais se torna agora ainda maior.
Julião Flaves Gaúna