03 de agosto de 2020

Pesquisa revela o “novo normal” da indústria gráfica brasileira

Gráficos se reinventam e apostam nas novas tendências de atuação no mercado.

Em meio à crise econômica gerada pela pandemia da COVID-19, parcerias comerciais e ampliação dos segmentos de atuação começam a ganhar força entre as empresas gráficas brasileiras. É o que revela a 2ª Pesquisa sobre o Impacto da COVID-19 na Indústria Gráfica.

Mais de duzentas empresas responderam à pesquisa. Desde que a pandemia começou, 32,2 % delas passaram a produzir impressos em parceria com outras gráficas, o que até então era difícil de acontecer. “Com a crise, muitas empresas estão buscando soluções para sobreviver. A troca de trabalhos tem se mostrado uma saída eficiente para manter os parques gráficos funcionando. Isso é praticamente inédito no mercado gráfico e mostra um amadurecimento de nossos empresários, que perceberam que é possível somar forças para que todos saiam ganhando. Dividir para multiplicar”, explica Levi Ceregato, presidente da ABIGRAF. A pesquisa mostrou que apenas 9,8% das empresas não têm interesse em aderir a um eventual modelo de cooperativa, se viabilizado num futuro próximo, 48,6% aceitariam imediatamente e 41,6% responderam talvez à questão.

O home office será adotado por 5,1% das gráficas. Outros 27,6% das empresas pretendem manter parte de seus funcionários trabalhando em casa após a pandemia, 27,1% pretendem voltar normalmente ao trabalho e 40,2% das empresas mantiveram seus funcionários trabalhando normalmente desde o início do confinamento.

Para tentar combater os efeitos da crise econômica, 20,6% das gráficas passaram a atuar em segmentos diferentes. Um dos nichos mais procurados pelas empresas, para atender a demanda provocada pela pandemia, foi a produção de materiais que diminuem o contágio do Coronavírus, como máscaras, displays e totens de álcool em gel, aventais e materiais de sinalização, educação e embalagens para comida. 43% das empresas adaptaram suas linhas de produção para fabricar esses produtos.

EFEITOS DA CRISE

Os efeitos da crise econômica se agravaram desde a primeira edição da pesquisa, realizada em abril. A queda no faturamento, antes registrada por 92% das empresas, hoje atinge 94,4% delas. 79% das empresas registraram queda nos volumes de produção, 53,7% sofrem com a inadimplência de clientes e 40,2% tiveram pedidos cancelados.

“Já vínhamos em crise desde 2012, mas a pandemia está causando grandes estragos em toda a indústria gráfica. O faturamento do setor em 2020 deve ser no mínimo 50% menor do que em 2019 e isso tem reflexos imediatos em toda a cadeia produtiva e no nível de emprego”, afirma Sidney Anversa Victor, presidente da ABIGRAF – SP. Em abril, 56% das empresas colocaram seus funcionários em bancos de horas ou férias. Até o final de junho esse percentual subiu para 65%. O ritmo das demissões continua alto, porém caiu de 65% das empresas demitindo em abril para 40,7% demitindo em junho.

O acesso ao crédito para folha de pagamento e capital de giro continua sendo um grande empecilho para as empresas saldarem suas dívidas. Se em abril 55% das empresas tentaram e não conseguiram empréstimos com as linhas de crédito anunciadas pelo governo, em junho 25,7% delas continuavam enfrentando o mesmo problema. “A burocracia e o excesso de exigências do governo são o maior empecilho. Mas há também o spread bancário, que fez com que as taxas de juros sejam até 3 vezes maiores nos bancos privados do que aquelas anunciadas pelo governo”, comentou Levi Ceregato.

Se em abril 75% das empresas já haviam optado pela prorrogação do pagamento de impostos e tributos, em junho o percentual subiu para 82,2%. As medidas emergenciais anunciadas pelo governo para auxiliar as empresas foram ótimas para 17,8% dos empresários, boas para 43%, regulares para 29% e péssimas para 10,3% deles.

Para acessar os resultados completos da pesquisa, clique aqui.

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